Aprendizados sobre a vida freela em 2021: por que precisei recalcular a rota?

carreira
Bruna Cosenza
11 de janeiro de 2022

O ano passado, 2021, foi o meu segundo como freela em tempo integral e já posso dizer que foi o mais difícil até então. Em 2020, apesar da pandemia me pegar de surpresa, consegui me virar muito bem e fui surpreendida positivamente.

Todas as movimentações daquele ano me fizeram acreditar que o melhor caminho para mim era, aos poucos, abrir mão de clientes fixos e migrar para infoprodutos, oficinas e consultorias. 

Doce ilusão! Em 2021, precisei revisar estes planos e repensar todo o caminho que estava traçando para mim profissionalmente. Será que eu realmente queria aquilo ou estava sendo influenciada por terceiros? Fazia sentido abrir mão de clientes fixos para poder focar 100% nos produtos com a minha marca? E a saúde mental, como fica nessa história toda?

É sobre isso que vou falar no artigo de hoje: com o coração aberto e sem medo de contar para vocês que precisei recalcular a rota e estou muito satisfeita com a minha decisão!

Quando tomamos decisões que não são nossas

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Já contei algumas vezes sobre o que mudou na minha carreira quando entrei na lista de LinkedIn Top Voices, em 2019. Realmente não estava esperando pelo reconhecimento e foi exatamente o que eu precisava para começar uma jornada de infoprodutos.

Percebi que tinha muita gente querendo aprender comigo, principalmente sobre escrita criativa e produção de conteúdo, então os lançamentos foram muito bem e eu fiquei contente com os resultados. Naquela época, ainda tinha uma boa cartela de clientes fixos, mas já comecei a flertar com a ideia de ir reduzindo-a conforme a entrada financeira de infoprodutos crescia.

Bom, 2020 deu tudo certo e até superei as minhas expectativas. Cheguei em 2021 com poucos clientes fixos e a mentalidade de que o caminho era outro: foco 100% nos produtos com a minha marca, chega de produzir conteúdo para os outros.

Pois é, acontece que em alguns meses começou a bater o desespero, porque muita coisa não estava saindo de acordo com o esperado e não estava conseguindo bater os meus objetivos de entradas financeiras.

Foram meses bem difíceis, pensando e repensando estratégias, me considerando uma grande impostora profissionalmente e por aí vai… Aliás, toda essa situação contribuiu (e muito) para as minhas crises de ansiedade em 2020. 

Até que, após muitas reflexões, me dei conta de que eu não queria aquilo para mim. Queria estabilidade (dentro das possibilidades da vida freelancer) e percebi que não tinha optado por aquele caminho de forma consciente. Vi muitos outros Top Voices e outros profissionais da minha área fazendo isso: migrando para trabalhar apenas com infoprodutos e acreditei que era o que eu queria e precisava fazer também.

Não era. Não é. E não sei se algum dia será. 

Amo ter os meus cursos online, dar aulas e consultorias, mas não estou pronta profissionalmente e emocionalmente para focar apenas nisso. Não quero que a minha renda dependa mais disso do que dos meus clientes fixos como produtora de conteúdo.

Parece uma conclusão muito simples agora que já passei por todo o processo, mas garanto que foi bem nebuloso e complexo. A grande lição foi: aquela decisão não era minha e eu estava me espelhando nas pessoas erradas.

A glamourização da vida de infoprodutor

Todo mundo quer trabalhar menos e ganhar mais, mas será que esse é o melhor caminho sempre? Lógico que precisamos de equilíbrio na jornada profissional, mas eu me deixei iludir por essa promessa e paguei a conta em 2020.

Crises de ansiedade, síndrome da impostora batendo forte e por aí vai…

Há muita glamourização: todo mundo diz que você pode se posicionar como especialista em algo e sair vendendo o que quiser para viver dos seus infoprodutos, mas não é bem assim. É um processo árduo, cheio de altos e baixos e é preciso estar MUITO consolidado para se manter estável.

Recalculando a rota em 3, 2, 1…

A partir do momento em que me dei conta de que as coisas não estavam legais, aceitei que precisava voltar a me movimentar para prospectar novos clientes. Não foi nada fácil, parecia que o universo conspirava contra mim.

Reuniões em vão, indicações que não davam em nada, expectativas frustradas. Por um tempo foi assim.

Até que em outubro as coisas começaram a melhorar e surgiram oportunidades interessantes. Comecei a enxergar uma luz no fim do túnel. E o que foi fundamental nesse processo (além da terapia, é claro rs)?

  • conexões com as pessoas certas;
  • manter a consistência na produção de conteúdo no LinkedIn;
  • fortalecimento de laços com clientes atuais que renderam novas oportunidades;
  • abertura para prospectar ativamente sem medo ou vergonha.

Sem isso, não teria conseguido. Mas deu certo (por enquanto hehe).

E 2022, como fica?

Olha, não sei ainda… Como todo freela, estou sempre em alerta. 

O ano começou com algumas dúvidas e inseguranças, mas eu não desisto não. Sei que não há outro caminho para mim, porque voltar para o CLT não é uma possibilidade. Por isso, preciso me manter firme e acreditar que vai dar certo.

Alguns clientes vão embora, outros chegam, mas manter o otimismo é fundamental. Hoje, como produtora de conteúdo, tenho o prazer de trabalhar com clientes que tornam o meu dia a dia muito feliz, como SOAP,  Vittude, befreela e outras empresas que admiro e fazem total sentido para a minha trajetória.

Com toda essa loucura do ano passado, o meu maior aprendizado foi:

Não estou dando um passo para trás para depois dar dois para frente. Estou dando dez passos para frente, porque estou realmente escolhendo esse caminho e não apenas seguindo os outros. 

E mais: nada vale a minha saúde mental, nem uma renda passiva. Prefiro ter vinte clientes e uma agenda lotada de demandas do que passar os dias ruminando se vou ganhar o que preciso no fim do mês.

Fica a dica para vocês, freelas.

Ah, e é claro que não poderia me esquecer: mandem jobs 😉